Elite: Dangerous | Review

SITE_Template35

Elite: Dangerous
Frontier Developments
PC
Space Adventure / MMO
Dezembro, 2014

3

MIX

Por Paulo Victor

Elite: Dangerous é um jogo de simulação espacial desenvolvido pela Frontier Developments e idealizado por David Braben, um dos criadores do original Elite de 1984. Exclusivo para PC, o jogo foi financiado por iniciativa popular através do site Kickstarter em uma bem sucedida campanha que arrecadou 1.578.316 libras das 1.250.000 libras pleiteadas.

O jogo se passa em um universo persistente onde o jogador pode escolher jogar sozinho ou com outros jogadores em modo aberto ou privado. Infelizmente, para manter a característica de universo persistente, até mesmo para jogar sozinho é necessário estar conectado online.

Imagem Divulgação

Imagem Divulgação

Elite: Dangerous coloca o jogador na pele de um piloto de espaçonaves, que começa com uma nave básica e alguns poucos créditos em alguma estação espacial perdida no espaço. A partir daí é com o jogador!

Não há uma história, não há objetivos bem definidos, não há uma princesa para salvar no castelo, um arqui-inimigo para derrotar e nem um universo para salvar. Há apenas você, sua nave e tudo que conseguir fazer no espaço entre uma estação e outra.

E:D é adepto do “crie você a sua própria história”. Há missões nas estações para cumprir, mas caso o jogador não deseje fazê-las, pode caçar criminosos para receber recompensas ou saquear naves mercantes para roubar a carga e vende-las no mercado negro. Se tiver créditos para investir pode comprar e vender commodities entre estações e lucrar com isso.

A primeira coisa que chama atenção em E:D é sua escala: o jogo conta 400 bilhões de sistema solares e uma representação científica de 1:1 da Via Láctea. Tudo isso feito através de geração procedural de conteúdo.

400 bilhões de sistemas solares! (Imagem Divulgação)

400 bilhões de sistemas solares! (Imagem Divulgação)

GAMEPLAY

Em se tratando de um simulador espacial, em E:D o jogador pilota durante o tempo sua nave. É possível usar tanto o mouse e teclado quanto joysticks, H.O.T.A.S. (Hands On Thrust And Stick) e controles tradicionais. Em minha experiência com o jogo, encontrei dificuldades em controlar a nave apenas com o mouse e teclado, preferindo usar um controle de Xbox One na maioria do tempo. Há alguns padrões pré definidos de controles, mas o jogador pode customizar os comandos do jeito que preferir.

O jogador começa com uma nave básica, mas pode trocar ao longo do jogo. Atualmente são 15 naves jogáveis, mas o jogo foi planejado para ter até 30 naves jogáveis. Cada nave tem seus status básicos, mas é possível modifica-la completamente até o limite que ela suporta.

Há os hardpoints, onde são equipados as armas, utility mounts que ficam acessórios como scanners e os internal components onde ficam os demais componentes tais como escudos e compartimentos de carga.

Cada item tem sua classe e é necessário que a nave suporte no mínimo aquele tamanho. Ou seja, uma Viper tem quatro hardpoints, dois médios (size 2) e 2 pequenos (size 1) de forma que ela pode equipar duas armas size 2 e duas armas size 1 ou usar os slots de size 2 para um item size 1, mas não pode usar nenhuma arma size 3 porque a nave não suporta.

Em relação aos componentes internos, alguns componentes são fixos e necessários para a nave operar, como as turbinas, de forma que só podem ser trocados por outro do mesmo tipo. Outros, como os escudos, não são necessários podendo ser trocados por compartimento de carga, caso o jogador entenda necessário. Tal situação requer uma análise de risco e benefício porque, com um compartimento de carga maior o jogador pode fazer mais dinheiro em menos tempo. Porém, caso seja atacado por piratas no meio do caminho terá uma chance maior de ter sua nave destruída, inclusive perdendo o que tiver levando de carga.

Cada nave pode fazer de tudo, porém todas são voltadas para uma área específica. A Sidewinder, nave inicial é uma multifunção, já a Viper é uma nave de combate e da Lakon Type 7 é voltada para o transporte de cargas. Isso não impede do jogador entrar em combate com Type 7 e transportar carga com a Viper, porém elas não são tão efetivas para esse tipo de situação.

É possível fazer algumas modificações com a nave voando, como transferir a prioridade entre sistemas, motores e armas, definir prioridades de energia e ativar e desativar os periféricos.

Imagem Divulgação

Imagem Divulgação

O jogo se passa completamente no espaço, sendo que o jogador passa o seu tempo indo de uma estação a outra. Não há planetas para pousar, ao menos por enquanto. Há planejado algumas expansões, elas o módulo de pouso e o de tiro em primeira pessoa, porém elas serão pagas quando lançarem.

Ao chegar numa estação é o próprio jogador que deve manobrar a nave até o local de pouso. É necessário pedir autorização, se dirigir ao local indicado, liberar o equipamento de pouso e alinhar a nave no local correto. Tudo isso é um procedimento divertido de fazer e que sempre demanda atenção. Algumas estações tem área de pouso interna e para acessá-las é necessário passar por uma abertura não muito grande. Não é incomum pilotos apressadinhos destruírem suas naves nas entradas por não conseguir acertar o acesso.

Para viagens de longa distância as naves são equipadas com um frame shift drive (FSD), que permite as naves viajarem acima da velocidade da luz. Ao ativar o FSD é possível viajar em supercruise para distancias menores dentro de um mesmo sistema ou em hyperdrive para outros sistemas que se encontram a anos luz de distância. Acionar o FSD é sempre uma sensação gostosa, há um período de carregamento do sistema, após uma contagem e sua nave sai em velocidades incríveis.

Nas estações é possível reabastecer, carregar as armas que precisam de munição, trocar de nave, comprar e vender commodities, vender carga roubada no mercado negro, receber recompensas e modificar as naves. Nem todas as estações tem tudo disponível, algumas tem apenas algumas funções básicas outras são mais completas.

Também é possível pegar missões para fazer nas estações: levar carga a outras estações, adquirir e trazer commodities, destruir um inimigo poderoso, destruir piratas ou mercadores, participar de zonas de guerra. Nem todas as missões são pagas, algumas são feitas apenas em troca de reputação.

Há três facções centrais no jogo, o Império, a Federação e a Aliança, cada uma com reputação e recompensas próprias. Se você destruir um pirata procurado no Império, terá que procurar uma estação aliada ao Império para poder pegar sua recompensa. Algumas estações são independentes também.

No mais é possível encontrar coisas para fazer no espaço como caçar e destruir pilotos procurados, minerar, desbravar sistemas novos e vender os mapas.

O maior problema com o jogo é que tudo isso acaba se tornando maçante e limitado. A falta de um enredo pode ser um problema para manter os jogadores fazendo exatamente as mesmas coisas o tempo todo em troca de crédito para melhorar e trocar sua nave. Chega um determinado momento em que você não quer mais caçar piratas para matar, nem ficar horas de uma estação a outra vendendo mercadorias.

Para piorar, algumas viagens entre estações são realmente longas e cansativas, chegando a durar minutos olhando para sua nave andar em linha reta.

Por outro lado o combate é satisfatório. Algumas batalhas são de tirar o folego e outras nem tanto, mas acabei achando o combate a parte mais gostosa do jogo. Naves menores é possível manter um batalha mesmo contra os inimigos mais avançados, porém contra as naves maiores escapar as vezes é melhor opção. Não conferi como é jogar com outros jogadores, mas acredito que no modo multiplayer o elemento humano deve trazer uma tensão extra em relação à inteligência artificial.

Imagem Divulgação

Imagem Divulgação

CONCLUSÃO

Elite: Dangerous não é um jogo para todos. Os fãs de simulação espacial estarão satisfeitos e irão encontrar diversas formas de ocupar seu tempo no espaço.

É um jogo definitivamente competente, com ampla customização das naves e combate satisfatório, mas que peca pelo andamento cadenciado, missões repetitivas e ausência de modo história. Muito embora o jogo se sustente somente no espaço, fica a sensação de que está incompleto sem o modo dos planetas e de primeira pessoa. Até o presente momento não é possível sequer andar pelo interior das naves. Talvez no futuro estes problemas se resolvam, mas a perspectiva da solução ser paga torna o jogo ainda menos atraente para quem está indeciso.

Imagem Divulgação

Imagem Divulgação

Anúncios

1 comentário

Arquivado em Análises, Games, Matérias, Reviews

Uma resposta para “Elite: Dangerous | Review

  1. Muito show a iniciativa desse game! A sensação de estar sozinho no universo e poder explorá-lo ao máximo deve ser incrível. Mas realmente sem um modo história e as outras opções citadas no post, acho que não fica muito atraente para jogar por muito tempo. Acho q deveriam colocar um modo história com campanhas que vc escolhe fazer ou não, mas que estão lá para vc se sentir “menos sozinho no universo” rsrs, assim podendo ter um objetivo, pousar em um planeta e interagir com outros jogadores e npcs, enfim. Mas explorar o universo em primeira pessoa deve ser incrível usando um Oculus Rift! XD *–*

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s